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Crase em concurso público: 5 questões difíceis resolvidas e comentadas!

Domine as regras da crase resolvendo questões que reprovam milhares de candidatos

Por

José Maria
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Pessoa fazendo um cronograma em um caderno para se organizar, utilizando post-its coloridos e marcadores de texto coloridos

Olá, concurseiros! Professor José Maria aqui.

Um dos tópicos que mais vejo gerar dúvidas e derrubar candidatos em provas de língua portuguesa é, sem dúvida, o uso do acento indicativo de crase. Não é à toa. A crase exige um olhar atento à regência, à presença de artigos e a uma série de casos específicos que, à primeira vista, podem parecer uma verdadeira sopa de letrinhas.

Pensando nisso, selecionei 5 questões de alto nível que frequentemente aparecem em editais e têm um índice de acerto baixo. Meu objetivo é ir além da simples regra, mostrando a lógica por trás de cada uso. Vamos descomplicar?

Questão 1 (AVANÇASP – 2025)

Enunciado: Assinale a alternativa que não apresenta nenhum erro em relação ao uso ou omissão da crase.

Alternativas:
A) Fui à casa trocar de roupa.
B) A professora a qual me refiro não leciona mais.
C) Ele entregou o dossiê à Vossa Excelência?
D) Ano que vem, vou à Santo André em um congresso de nutrição.
E) André tem aversão a brigas.

Gabarito: E

Esta é uma das pegadinhas mais clássicas. Muitos candidatos decoram que “crase é a + a” e aplicam a regra de forma automática, caindo na armadilha.

A Frase Incorreta:

“Fui à casa trocar de roupa.”

Por que está errado?
Aqui, temos uma locução adverbial formada pela palavra casa. Nesses casos, a regra é clara: locuções com casa, terra e distância são, a rigor, utilizadas sem crase. A crase só volta à cena quando especificamos qual casa, qual terra ou qual distância.

  • Forma Correta: Fui a casa trocar de roupa.
  • Com Crase (Caso Especificado): Fui à casa da minha mãe.

Dica Prática:
Use o macete do “voltei de”. Se você “volta de casa” (sem artigo), você “vai a casa” (sem crase). Se “volta da casa da sua mãe” (com artigo), você “vai à casa da sua mãe” (com crase).

Questão 2 (AVANÇASP – 2025)

Enunciado: Destaque a alternativa que realmente admite o uso da crase.

Alternativas:
A) Ele trabalhava de sol à sol.
B) Dedicou o prêmio à essa professora.
C) A reunião começou, impreterivelmente, à uma.
D) Comunicarei à você sobre o andamento do processo.
E) Chegamos à aquela conclusão, depois de horas de debate.

Gabarito: C

Pronomes demonstrativos geram muita confusão. A dica é não decorar, mas testar.

A Frase Incorreta:

“Chegamos aquela conclusão depois de horas de debate.”

Por que está errado?
A fusão ocorre entre a preposição “a” (exigida pelo verbo) e o artigo “a” que acompanha “aquela”. Para não errar, faça um teste de substituição rápido e infalível.

  • Teste Rápido: Substitua “aquela” por “esta”.
    • “Chegamos a esta conclusão.”
    • Percebeu? Apareceu a preposição “a”. Isso é um sinal claro de que, no original, devemos ter a crase.

Forma Correta: Chegamos àquela conclusão depois de horas de debate.

Questão 3 (QUADRIX – 2024)

Enunciado: Em “às crianças”, o emprego do sinal indicativo de crase é justificado pela fusão entre uma preposição e um artigo definido feminino. Dos casos a seguir, assinale o único em que o emprego desse acento está incorreto.

Alternativas:
A) Referiu-se à nutricionista e não a nutrólogo.
B) O candidato obedeceu às regras do certame.
C) O nutricionista estudou até à meia-noite.
D) A nutricionista foi à Bahia, conhecer Salvador.

Gabarito: A

Esse é um erro sutil, mas que os examinadores adoram cobrar. A elegância e a correção gramatical exigem paralelismo na construção.

A Frase Incorreta:

“[…] ele referiu-se à nutricionista e a nutrólogo.”

Por que está errado?
A conjunção “e” está ligando dois termos que exercem a mesma função sintática. No entanto, a construção é assimétrica. Para o primeiro termo (feminino), usou-se preposição + artigo (à). Para o segundo (masculino), usou-se apenas a preposição (a). Isso quebra o paralelismo.

Solução Correta (Duas Opções):

  1. Use artigo em ambos: referiu-se à nutricionista e ao nutrólogo.
  2. Não use artigo em nenhum: referiu-se a nutricionista e a nutrólogo.

A consistência é a chave!

Questão 4 (VUNESP – 2024)

Enunciado: O acento indicativo de crase foi corretamente empregado em:

Alternativas:
A) Nos períodos de férias escolares, cidades litorâneas tendem à apresentar maior fluxo de carros.
B) Tem havido um crescimento no número de visitantes em relação à mesma estação do ano.
C) Fernando de Noronha é uma ilha pernambucana conhecida pela restrição imposta à turistas.
D) Turistas que visitam a praia de Porto de Galinhas se dirigem à ela para ter passar momentos de lazer.
E) Devem-se projetar às cidades para garantir mobilidade e comodidade aos seus habitantes.

Gabarito: B

Este caso é pura aplicação de regra. Pronomes de tratamento como “Vossa Excelência” têm um comportamento específico.

A Frase Correta:

“Ele entregou o dossiê a Vossa Excelência.”

Por que NÃO há crase?
Pronomes de tratamento como “Vossa Excelência”, “Vossa Senhoria” e “Vossa Santidade” não admitem artigo. Se não há artigo, é impossível existir a fusão “preposição A + artigo A” que forma a crase. Portanto, mesmo havendo a preposição, o acento não aparece.

Atenção à Exceção!
Pronomes como “senhora”, “dona” e “madame” aceitam artigo. Logo, a crase é obrigatória quando há preposição. Ex: “Dirigi-me à senhora presidenta.”

Questão 5 (FUNCERN – 2024)

Enunciado: Analise o período a seguir.

“Para uma gestante com idade próxima à dos garotos, aquela história foi marcante não só pela compaixão despertada, mas pelas terríveis náuseas que a acompanharam até o nascimento da minha irmã.”

Considerando a regência das palavras, a presença de acento grave, nessa oração,

Alternativas:
A) se justifica, pois há uma preposição exigida pelo substantivo “idade”.
B) não se justifica, pois não há um artigo exigido pelo substantivo “idade”.
C) se justifica, pois ocorre a fusão da preposição “a” exigida pelo adjetivo “próxima” e do artigo feminino admitido pelo substantivo “idade”.
D) não se justifica, pois não ocorre a fusão da preposição “a” exigida pelo adjetivo “próxima” e do artigo masculino admitido pelo substantivo “garotos”.

Gabarito: C

Aqui, muitos candidatos travam por achar que existe apenas uma forma correta. Mas a língua portuguesa, por vezes, nos dá opções.

A Frase Correta:

“O nutricionista estudou até a meia-noite.”

Por que é Facultativo?
A preposição “até” tem um comportamento especial: ela admite a companhia de outra preposição. Isso gera o que chamamos de crase facultativa.

  • Teste Prático: Troque por um termo masculino.
    • “Estudou até o meio-dia.” (Sem crase)
    • “Estudou até ao meio-dia.” (Com a fusão, equivalente à crase)

Se ambas as formas (“até o” e “até ao”) são aceitas no masculino, no feminino também serão: “até a meia-noite” e “até à meia-noite” estão ambas corretas.


Minha Dica Final: O “Teste do Caso Geral”

Para finalizar, deixo com vocês a ferramenta mais poderosa contra o fantasma da crase: o “Teste do Caso Geral”. É simples:

  1. Identifique a palavra feminina que vem após o “a”.
  2. Substitua mentalmente por uma palavra masculina equivalente.
  3. Observe o resultado:
    • Se aparecer “ao”, use “à”.
    • Se aparecer apenas “a”, não use crase.

Exemplo Rápido: “Entreguei o documento a/à secretária.”

  • Substitua: “Entreguei o documento ao secretário.”
  • Como apareceu “ao”, a forma correta é: “Entreguei o documento à secretária.”

Espero que estas explicações tenham clareado essas questões tão frequentes. A matéria é vasta, mas com prática direcionada e compreensão da lógica, você transforma a crase de vilã em uma grande aliada na sua prova.

Foco, força e fé! Nos vemos na próxima aula.

Um abraço,
Professor José Maria

Confira, também, o vídeo na íntegra:

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José Maria

José Maria

Professor de Língua Portuguesa para concursos há 10 anos. Atuou como Consultor de Língua Portuguesa na CNI (Confederação Nacional da Indústria) no Projeto Educação Livre. É autor de livros e materiais didáticos para ENEM e Concursos Públicos. Formado em Engenharia Eletrônica pelo ITA.