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Lula decide vetar supersalários do Legislativo aprovados pelo Congresso

Presidente considera medida rejeitada pela população em momento de contenção

Por

Rebeca Kemilly
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presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não sancionar os projetos que concedem reajustes salariais para servidores do Legislativo federal, aprovados na semana passada pelo Congresso Nacional.

De acordo com a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, auxiliares do Palácio do Planalto confirmaram a informação após o petista ter feito a declaração a lideranças durante encontros na Bahia.

Lula considera que os projetos têm a rejeição da maioria da população e entende que o momento é de contenção de despesas que não tenham objetivo social e sinalizem mordomias. A decisão abrange aumentos para funcionários da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU).

Ministros do governo defendem que o presidente devolva os projetos ao Congresso com base em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a suspensão de penduricalhos pagos aos servidores dos três Poderes.

A decisão judicial impediria a sanção, já que esses benefícios extras permitem que vencimentos ultrapassem o teto constitucional de R$ 46.366,19.

A saída mais garantida seria o veto explícito e total, pois a devolução poderia levar à sanção automática pelo silêncio presidencial. O posicionamento da ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, reforça a tendência de veto. Ela criticou os projetos por terem sido aprovados “sem debate com a sociedade e sem estimativa de custo”.

O que preveem os projetos?

Os textos aprovados pelo Legislativo promovem mudanças significativas na remuneração dos servidores:

Câmara dos Deputados (PL 179/2026):

  • Extinção de gratificações antigas
  • Criação da Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE), que varia entre 40% e 100% do vencimento básico
  • Concessão de licença compensatória: um dia de folga a cada três trabalhados
  • Impacto financeiro previsto: R$ 500 milhões por ano
  • Beneficiará aprovados nos concursos em andamento (70 vagas para Técnico e Analista Legislativo; 40 vagas para Policial Legislativo Federal)

Senado Federal (PL 6.070/2025):

  • Reajustes salariais escalonados até 2029
  • Criação de gratificação de desempenho
  • Reformulação de gratificações existentes
  • Licença compensatória nos mesmos moldes da Câmara
  • Impacto financeiro previsto: R$ 200 milhões por ano

O ponto mais polêmico é a licença compensatória: para quem exerce função comissionada, concede um dia de folga a cada três trabalhados em feriados, finais de semana e períodos de descanso.

Se não usufruída, pode ser convertida em pagamento em dinheiro, isento de Imposto de Renda e livre do teto constitucional, com limite de 10 dias por mês.

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Aprovações no Congresso

Enquanto isso, três projetos relacionados a reajustes no serviço público avançam no Congresso:

Câmara dos Deputados (PL 179/2026): A Câmara aprovou em 3 de fevereiro projeto que extingue gratificações antigas e institui a Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE).

A nova gratificação varia entre 40% e 100% do vencimento básico e considera desempenho individual, competências técnicas, metas, qualificação profissional e dedicação contínua. O texto também cria licença compensatória para servidores em funções de alta responsabilidade.

A proposta beneficiará candidatos aprovados nos concursos em andamento para Técnico e Analista Legislativo (70 vagas) e Policial Legislativo Federal (40 vagas). O projeto já foi aprovado pelo Senado e segue para sanção presidencial.

Senado Federal (PL 6.070/2025): O Senado aprovou em dezembro de 2025 projeto que promove alterações no Plano de Carreira dos Servidores da Casa.

O texto estabelece reajustes salariais escalonados até 2029, cria gratificação de desempenho e reformula gratificações existentes. A medida foi aprovada pela Câmara em 3 de fevereiro e aguarda sanção presidencial.

Tribunal de Contas da União (PL 2.829/2025): O projeto do TCU moderniza a Lei nº 10.356/2001 e prevê reajuste escalonado para Auditores Federais de Controle Externo, elevando o salário base dos atuais R$ 37 mil para R$ 44,5 mil até 2029, com teto de carreira podendo alcançar R$ 58,6 mil.

Para Técnicos Federais de Controle Externo, o PL passa a exigir nível superior e institui a GDAE, com percentual entre 40% e 100%, além de novas tabelas de vencimento básico.

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